JANELA é a próxima publicação de uma série de ensaios visuais coletivos, INTERMÉDIOS, sem ordem pré-definida, que se dedica ao tema da reutilização de componentes de construção recuperados.
Nas fachadas dos edifícios, as janelas novas, elementos próximos, familiares e que se repetem, evidenciam uma transformação acelerada da paisagem construída. Parte-se à procura do rasto das janelas que antes habitavam estas paredes. E com ele, as suas cores, materiais, texturas e narrativas, que, de outro modo, seriam esquecidas. Mais do que um caixilho envidraçado, as janelas são sistemas complexos com vários componentes interdependentes. Aplicadas em aberturas nas paredes dos edifícios, são compostas por caixilhos (fixos, móveis), envidraçados (opacos, transparentes, coloridos, texturados), aros (visíveis, ocultos), estores, portadas, persianas, grades, entre outros elementos. Em conjunto, estes elementos procuram controlar a passagem de ar e luz, ligar espaços (interior e exterior, compartimentos adjacentes), permitir a comunicação (namoradeiras) ou simplesmente proporcionar a visão para o outro lado.
A partir da observação, pesquisa contextual, leitura, trabalho de campo, documentação, arquivo, experimentação e reflexão crítica, produram-se os mecanismos que induziram a substituição de cada um dos componentes interdependentes que as compõem—obsolescência funcional? Exigências de desempenho? Alterações estéticas? — os destinos desses elementos e os usos que lhes foram dados.